16.º Aniversário da ULG – Universidade Lusófona da Guiné

Jul 22, 2016

Sua Excelência o Senhor Ministro da Educação, em representação do Senhor Primeiro Ministro, Suas Excelências as Altas Personalidades que nos honram com a sua presença no 16.º Aniversário da Universidade Lusófona da Guiné, Magnífico Reitor, Prof. Doutor Rui Jandí, Senhor Administrador Adjunto, Eng.º Luís Colaço, Senhor Secretário Geral da ULG, Professor Doutor Joãozinho Vieira Có, Ilustres Responsáveis Académicos e da Administração, Senhoras Convidadas e Senhores Convidados, Senhoras Professoras e Senhores Professores, Senhoras Colaboradoras e Senhores Colaboradores, Queridas Alunas e Caros Alunos

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Celebramos hoje o 16.º Aniversário da ULG – Universidade Lusófona da Guiné.

Hoje celebramos o início do Nosso/ Vosso Projeto Educativo na Guiné Bissau que teve o seu início na transição do século XX para o século XXI. À época, criou-se uma Parceira público-privada entre a COFAC – entidade instituidora da Universidade Lusófona de Lisboa – e o Estado da Guiné Bissau e fundou-se a Universidade Amílcar Cabral com os seguintes Cursos autorizados:

  • Direito;
  • Medicina;
  • Formação de Professores
  • Economia de Gestão e
  • Enfermagem

No último trimestre de 2008, o Estado criou a Universidade Lusófona da Guiné Bissau, através do Decreto de Lei nº 1 de 2008 de 14 de novembro, com os seguintes Cursos autorizados:

  • Administração E Gestão De Empresas;
  • Ciências Da Educação;
  • Comunicação Organizacional;
  • Direito;
  • Economia;
  • Enfermagem Superior;
  • Engenharia Informática (abriu no ano letivo em 2013/2014);
  • Gestão De Recursos Humanos;
  • Jornalismo;
  • Serviço Social;
  • Sociologia e
  • Solicitadoria (que nunca abriu).

Foi um passo importante para o país! Consideramos que um Estado de Direito precisa forçosamente de ter Ensino Superior Público e Ensino Superior Privado.

O Ensino Superior Público porque obedece à racionalidade pública e aquilo que são as prioridades das políticas públicas para a educação, espelhadas no Orçamento Geral do Estado.

O Ensino Superior Privado, como aquele que ministramos e que defendemos, porque não obedece a nenhum tipo de racionalidade política, ideológica e religiosa. Ou seja, somos um Projeto Educativo Laico e Multicultural que só aceita entre os Seus aqueles que cumprem os Direitos Humanos. Daí que não discriminamos ninguém por ter um determinado credo religioso ou filiação política e / ou partidária nem aceitamos quem o faça.

Somos Humanistas! Aliamos a Racionalidade da Ciência à Paixão pelo Conhecimento.
Acreditamos que o Nosso Projeto Educativo é a Soma de Todas e de Todos Nós!

Esta é a razão pela qual os fundadores do Grupo Lusófona tenham inscrita na Missão do Projeto, que devemos estar presentes em todos os Países da CPLP – Comunidade de Países e Povos de Língua Portuguesa, e que tenham desde a génese envidado todos os esforços para que assim seja.

Razão pela qual Bissau tem um lugar especial no Nosso Coração, porque foi aqui, na Cimeira de Bissau, que fomos eleitos Observadores Consultivos da CPLP.

Para Nós, não há Grupo Lusófona sem a Universidade Lusófona da Guiné Bissau e sem a Recordação da Universidade Amílcar Cabral.

Aliás, não pode haver Aquisição de Competências na Ciência que pensa e fala a Língua Portuguesa sem a Lembrança dos Pais e das Mães que foram os Protagonistas, uns Públicos outros anónimos, que Lutaram e em muitos casos deram a própria vida para que hoje existam Estados Independentes e que hoje fazem parte da Nossa Memória Coletiva.

Hoje, dia 23 de julho de 2016, estamos a dois anos de atingir a maioridade!

Somos, fazendo o paralelo com a idade biológica JOVENS! Isso está aqui bem espelhado nesta Sala preenchida com os sorrisos das Nossas Diplomadas e dos Nossos Diplomados e das respectivas famílias, bem como, do Nosso Corpo Docente, técnico e auxiliar!

Permitam-me que dirija uma saudação calorosa e que peça uma Salva de Palmas para estes futuros quadros da Guiné Bissau que acreditaram e acreditam no Sonho de Cabral que deixou nesta sua frase um legado fulcral para o futuro deste país “aquele que sabe ensina àquele que não sabe” visada a preparar os homens e as mulheres que, no futuro, iriam dirigir os destinos do país, presentes na sua obra “Unidade e Luta”. A formação do Homem Novo foi sempre considerada essencial para a Luta da Libertação.

Esta Juventude faz com que tenhamos vindo a modernizar a Nossa oferta e que tenhamos aberto o Curso de Ciências do Mar e tenhamos juntado o Curso de Jornalismo ao Curso de Comunicação Organizacional. Inaugurámos dois modernos Laboratórios e requalificámos o espaço exterior da Universidade.

Esta Juventude que tornou possível Portugal ser Campeão Europeu de Futebol, através do golo certeiro do Éder! Esse fabuloso jogador de origem guineense!

O Nosso Grupo é, aliás, semelhante à Selecção Portuguesa que era, neste Campeonato Europeu de 2016 a Selecção com mais jogadores nascidos fora de Portugal. Como certamente se recordam, isso foi visto não como um problema, mas como uma oportunidade!

A Multiculturalidade da Equipa Portuguesa foi elogiada por todas e por todos e sagramo-nos CAMPEÕES!

O Grupo Lusófona também é assim!

Assumimos a Nossa Multiculturalidade

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Vossa presença nesta Cerimónia que é tão importante para Nós e para a Guiné Bissau.

Ao preparar a minha intervenção, tive como preocupação abordar temas de interesse para as Nossas Diplomadas e para os Nossos Diplomados, para a Nossa Universidade e para o Nosso Grupo e, naturalmente, para o País onde se encontra estabelecida esta Instituição de Ensino Superior, membro da rede de Estabelecimentos do Grupo Lusófona, que, como todos sabem, tem Colégios, Escolas de Formação Profissional, Institutos Politécnicos e Universidades, em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Imaginem como me sinto por poder partilhar a Alegria das Nossas Alunas e dos Nossos Alunos.

Este Dia e aquilo que significa para cada um de nós, está gravado na nossa memória e é a recordação de um Momento que ganhou na nossa vida o direito à imortalidade.

Ao estar aqui, recordo o dia em que recebi o meu Diploma e a lembrança daquela jornada permanece bem nítida, bem como os propósitos a que me propus em relação ao meu futuro.

Tenho plena certeza de que cada uma das Nossas Diplomadas e dos Nossos Diplomados em Administração E Gestão De Empresas, Ciências De Educação, Comunicação Organizacional, Direito, Economia, Enfermagem Superior, Engenharia Informática, Gestão De Recursos Humanos, Jornalismo, Serviço Social e Sociologia idealizou este momento desde o primeiro dia de aulas. Projetou o futuro profissional desde que escolheu o Curso que queria frequentar e elegeu a área científica em que se queria capacitar, quando preferiu no ensino secundário um ramo em detrimento do outro.

Em todos estes dias, semanas, meses e anos, estiveram sempre confrontados com duas possibilidades: serem bem-sucedidos ou fracassarem.

Hoje quero falar-vos do Falhanço.

Podemos começar por tentar definir o que é o Falhanço e enumerar todas as vezes que já fracassámos. Esse exercício já o fizemos todos diversas vezes ao longo da Nossa Vida e parece-me desnecessário falar disso hoje.

No entanto, é essencial que percebamos porque escolhi o Dia da Universidade Lusófona da Guiné Bissau para o fazer.

Como calculam, participo em Cerimónias semelhantes a esta noutros países onde estamos sedeados e, portanto, já poderia ter ensaiado estas ideias noutra Cidade dum outro Estado.

Mas não o fiz, porque é aqui que faz sentido.

Em momentos diferentes, ouvimos órgãos de comunicação social e Organizações Internacionais mencionarem que a Guiné Bissau é um Estado Falhado e que as suas cidadãs e os seus cidadãos estão destinados à pobreza e a um futuro incerto e inglorioso. Justificam estas afirmações com um conjunto de dados estatísticos que, supostamente, confirmam a natureza de Estado Falhado.

No entanto, sabemos que a Guiné Bissau não é um Estado Falhado.

As Mulheres e os Homens guineenses nunca fizeram a vontade aos arautos da desgraça e são a prova do que “o que não nos mata torna-nos mais fortes”.

A confirmação de que a Resiliência é uma das características de todas e de todos aqueles que nasceram neste país ou que o escolheram para viver e trabalhar!

Nós escolhemos este País para criar uma Universidade que vai no seu décimo quinto ano de vida e que muitos já vaticinaram ao fracasso.

A Resiliência enforma o Nosso Projeto Educativo.

A Universidade Lusófona da Guiné Bissau também não desistiu. Não se conformou.

A Universidade Lusófona da Guiné Bissau é uma vencedora! Com o seu corpo docente que é constituído por dez doutores, noventa e dois Mestres e cento e três licenciados; com o seu corpo técnico e auxiliar que é constituído por quarenta e dois colaboradores e com o seu corpo discente que é constituído por três mil oitocentos e quarenta e seis estudantes.

Mas então, porque é que nos afastámos do fracasso? Porque é que, coletivamente e individualmente, não fomos derrotados?

Porque definimos estratégias e sabemos que a vitória, o sucesso de que há pouco falava é a única alternativa.

Aqui. Connosco. Com a Guiné Bissau. Com a Universidade Lusófona da Guiné Bissau.

Hoje celebramos a Vossa vitória! Que é Nossa! Hoje a Guiné Bissau passa a contar com mais Recursos Humanos qualificados! Com mais Homens e Mulheres disponíveis para alinhar nas Trincheiras do Conhecimento.

Portanto, hoje é o Dia de dar os Parabéns aos 924, novecentos e vinte e quarto, licenciados que já foram formados pela Universidade Lusófona da Guiné Bissau, assim distribuídos por curso e género:

CURSOS 2014

Nº de alunos

2015

Nº de alunos

M F M F
ECONOMIA 200 6 22 4
ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE EMPRESAS 143 76 15 8
GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS 36 36
SOCIOLOGIA 70 39 11 10
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL 21 18 0 1
DIREITO     5 5
JORNALISMO 8 4
CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO 40 17 5 7
SERVIÇO SOCIAL 42 29 2 3
ENFERMAGEM SUPERIOR 59 36 42 36
ENGENHARIA INFORMATICA 23 1 8 0
TOTAL 642 282 110 74

 

Permitam-me que, neste abraço, envolva o Nosso Magnífico Reitor, Professor Doutor Rui Jandí, o  Administrador Adjunto, Engenheiro Luís Colaço e o Professor Joãozinho Vieira Có.

Ao Senhor Presidente do Grupo Lusófona, Prof. Doutor Manuel de Almeida Damásio, que infelizmente não pode estar presente nesta importante Sessão Solene do Dia da ULG e que me pediu que o representasse, enviamos as Nossas melhores Felicitações e votos de que volte rapidamente a pisar a Terra da Guiné Bissau!

Os nossos agradecimentos sinceros a todos os Altos Dirigentes da República da Guiné-Bissau que nos honram com a sua presença e assim nos dão mais ânimo param alcançarmos os objetivos da ULG, que são nossos e de todos os guineenses.

Para nós, assume papel de grande relevância o dia de aniversário de qualquer um dos Estabelecimentos do “Grupo Lusófona” e hoje é um Dia de grande significado para a nossa Universidade.

Uma última palavra para as Famílias que hoje celebram aqui um momento muito especial. Com um esforço incomensurável, conseguiram ao longo deste anos poupar, para que as suas filhas e os seus filhos pudessem concluir os respetivos Estudos. Pudessem honrar todas e todos aqueles que tombaram em prol da Pátria, para que eles conseguissem ter um País, o seu País. Hoje, elas e eles estão prontos a concretizar um dos objetivos de Cabral “pensar para agir e agir para melhor pensar” que nos dizia que “a nossa própria realidade não pode ser transformada a não ser pelo seu conhecimento concreto”.

= 2 =

Antes de terminar, quero deixar um desafio às autoridades guineenses.

Como estarão recordados, no ano passado tive a oportunidade de Vos anunciar duas grandes alterações legislativas em Portugal – o Decreto-Lei nº 36/2014, de 10 de março, relativo ao Regulamento do Estatuto do Estudante Internacional e do Decreto nº 10/2014, de 25 de março, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, relativo ao “Acordo sobe a concessão de visto para Estudantes Nacionais dos Estados membros da CPLP”.

Nesse sentido, durante o corrente ano letivo, as Instituições do Grupo Lusófona em Portugal têm estado a reorganizar-se para receber Estudantes Internacionais a partir de Setembro de 2015 – início do ano letivo 2015/2016.

Todo o nosso Corpo Docente adquiriu competências em língua inglesa e reestruturámos os Cursos que têm mais procura no Mercado do Conhecimento Global.

Mais uma vez, abre-se à Guiné Bissau uma janela de oportunidade – a possibilidade das Instituições de Ensino Guineenses receberem Estudantes da CPLP, um Programa que poderia ser o ERASMUS da CPLP, e que urge, visto que a Declaração de Fortaleza tarda em ser uma realidade, e da concretização dum sonho – receber na Universidade Lusófona da Guiné Bissau alunos estrangeiros, da esfera da CEDEAO, com cursos lecionados em inglês e francês (e claro no crioulo!).

Nós estamos preparados!

Às autoridades da Guiné Bissau cabe a criação do Enquadramento Legal e Institucional.

Temos a certeza de que existe Vontade! Por isso é que estamos aqui hoje!

Porque há quinze anos atrás houve vontade por parte das Autoridades da Guiné Bissau de dar corpo à Nossa ânsia de trazer o Ensino Superior para o País!

Como é fácil de constatar, ninguém deixou o Fracasso Ganhar. Aqui os Vencedores somos TODAS E TODOS NÓS!

= 3 =

Relativamente ao ano transato e antes de concluir, é com muita alegria que anuncio uma evolução positiva da Nossa Instituição:

1.º – Corpo Discente (por curso)

CURSOS ANO LETIVO

2012/2013

ANO LETIVO

2013/2014

ANO LETIVO

2014/2015

ECONOMIA 166 281 323
ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE EMPRESAS 165 223 245
GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS 35 84 120
DIREITO 161 275 292
CIÊNCIAS POLITICAS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS 60 174 323
SOCIOLOGIA 103 99 129
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL 21 19 121
CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO 84 114 204
SERVIÇO SOCIAL 51 59 107
ENFERMAGEM SUPERIOR 691 1606 1618
ENGENHARIA INFORMÁTICA 83 203 279
CIÊNCIAS DO MAR E DO AMBIENTE     85
TOTAL 1620 3137 3846


2.º – Corpo Docente

Ano letivo Doutores Mestres Licenciados Total
2012/2013 8 39 59 106
2013/2014 6 81 100 187
2014/2015 10 92 103 205


3.º – Outros colaboradores

Ano letivo 2013/2014 Ano letivo 2014/2015
44 42

 

= 4 =

Em jeito de conclusão, quero-vos dizer de forma frontal que o “Grupo Lusófona” continua a acreditar na Guiné-Bissau!

A Guiné-Bissau continua a contar com o “Grupo Lusófona” para a capacitação dos recursos humanos e para a consolidação do Processo Democrático e o aprofundamento dos Direitos Humanos.

Nós contamos com a Guiné Bissau para a consolidação da Lusofonia e dos Laços que nos unem!

A Comunidade Académica da ULG – Universidade Lusófona da Guiné vai continuar mobilizada para estes propósitos. Assim, no próximo ano, celebraremos o 16.º Aniversário com mais alegria e mais confiança no futuro.

Viva a Universidade Lusófona da Guiné Bissau!
Viva a Guiné Bissau!

Muito Obrigado!
Teresa do Rosário Damásio

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