Discurso da Sessão de Abertura do Ano Académico de 2008/2009

Out 15, 2008

Muito boa tarde, sejam todos bem vindos à Sessão de Abertura do Ano Académico de 2008/2009.

Exmo. Senhor Presidente do Grupo Lusófona – Prof. Doutor Manuel de Almeida Damásio,

Magnífico Reitor –  Senhor Professor Doutor Mário Moutinho,
Sua Excelência Reverendíssima –  Dom Carlos Filipe Ximenes Belo,
Senhor Embaixador da República Democrática de Timor-Leste,
Senhores Embaixadores,
Ilustres representantes do Corpo Diplomático,
Ilustres representantes dos Organismos públicos e privados,
Senhor Presidente da Direcção da Associação Académica da Universidade Lusófona – Tiago Rapaz,
Senhores Directores e Senhoras Directoras das Faculdades, Departamentos, Institutos e Escolas do Grupo Lusófona
Senhoras Professoras e Senhores Professores,
Senhoras Alunas e Senhores Alunos,
Ilustres convidados,

Hoje damos inicio ao ano académico de 2008/2009 da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias com a mesma vontade e capacidade de tornar esta Instituição impar no Ensino Superior em Portugal, fruto do trabalho do seu corpo docente, do corpo técnico e auxiliar e do reconhecimento profissional dos seus alunos e diplomados.

A educação representa para a Universidade Lusófona um serviço público a cumprir, o qual assume uma relevância e dignidade de enorme valor, por se referir ao desenvolvimento das mais altas competências pessoais aplicadas às ciências e ao saber.

O cumprimento deste objectivo é assumido como uma tarefa especialmente exigente, pedindo em particular uma colaboração estreita entre todos, professores, alunos, serviços académicos e científicos.

Confiando numa óptima de convergência de esforços, confiamos também no sucesso da nossa missão.

Para a Universidade Lusófona é uma honra receber nesta casa, Sua Excelência Reverendíssima, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, um defensor da paz, um defensor do respeito pelos direitos humanos, um defensor de todas as nações livres e um defensor de que a paz à nossa volta só poderá ser atingida por meio do desenvolvimento da paz interior.

Este exemplo de vida está retido na missão educativa que a nossa Instituição realiza no espaço lusófono, porque a Lusofonia tem uma dimensão intercontinental e é em si portadora de valores Universais.

As Instituições do Grupo Lusófona formam uma família global.

Existe em todas elas um sentido de missão sempre no encalce da realização individual e da construção dos seus sonhos e do seu futuro.

A construção de um projecto educativo de excelência é objectivo sempre presente em todos os países onde a nossa Instituição está representada. Temos a consciência de que nos dias de hoje aquilo que acontece numa parte do mundo pode afectar todos nós.

Por esta razão, somos uma Universidade de Excelência, Empreendedora, Criativa, Rigorosa, Plural e Multicultural, uma Universidade, onde se sente a diversidade.

O ensino, a investigação, a prestação de serviços nos vários domínios da ciência, da cultura e das tecnologias são as áreas da Universidade que estão em constante aperfeiçoamento e que no início deste ano académico nos propomos a desenvolver com o empenho e dedicação de todos os agentes desta casa.

Neste sentido, irá usar da palavra o Senhor Presidente do Grupo Lusófona, Prof. Doutor Manuel de Almeida Damásio.

Muito obrigado.

1.ª intervenção – Presidente

Obrigado Senhor Presidente pela sua brilhante intervenção,

Passo agora a palavra ao Senhor Presidente da Associação Académica da Universidade Lusófona – o aluno Tiago Rapaz

2ª intervenção – Presidente da Associação Académica

Muito obrigado Senhor Presidente da Associação Académica da Universidade Lusófona, vamos de seguida ouvir o Magnifico Reitor – O Senhor Professor Doutor Mário Moutinho

 3.ª intervenção –Reitor

Muito obrigado Senhor Reitor pela sua concisa e brilhante intervenção. Vamos passar de seguida à conferência denominada: “A paz e o desenvolvimento em Timor-Leste” proferida por Sua Excelência Reverendíssima Dom Carlos Filipe Ximenes Belo.

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo nasceu a 3 de Fevereiro de 1948. Em conjunto com José Ramos-Horta, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz em 1996 pelo seu trabalho “em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste”.

Quinto filho de Domingos Vaz Filipe e de Ermelinda Baptista Filipe, nasceu na aldeia de U ai la cama, concelho (hoje distrito) de Baucau, na costa norte de Timor.

O seu pai, professor primário, faleceu quando tinha apenas dois anos de idade. Os anos de infância foram passados nas escolas católicas de Baucau e Ossu, antes de ingressar no seminário de Daré, nos arredores de Díli, formando-se em 1968. Exceptuando um pequeno período entre 1974 e 1976 – quando esteve em Timor e em Macau -, entre 1969 e 1981, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo repartiu o seu tempo entre Portugal e Roma, onde se tornou membro da congregação dos Salesianos e estudou filosofia e teologia antes de ser ordenado padre em 1980.

De regresso a Timor-Leste em Julho de 1981, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo esteve ligado ao Colégio Salesiano de Fatumaca, onde foi professor e director. Quando em 1983 Dom Carlos Filipe Ximenes Belo foi nomeado administrador apostólico da diocese de Díli, tornando-se chefe da igreja em Timor-Leste, respondendo exclusivamente perante o Papa.

Em 1988, em Lorium, Itália, foi consagrado como bispo.

A nomeação de Dom Carlos Filipe Ximenes Belo foi do agrado do núncio apostólico em Jacarta e dos próprios líderes indonésios pela sua aparente submissão. No entanto, cinco meses bastaram para que, num sermão na sé catedral, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo tecesse veementes protestos contra as brutalidades do massacre de Craras em 1983, perpetrado pela Indonésia.

Nos dias de ocupação, a igreja era a única instituição capaz de comunicar com o mundo exterior, o que levou Dom Carlos Filipe Ximenes Belo a enviar sucessivas cartas a personalidades em todo o mundo, tentando vencer o isolamento imposto pelos indonésios e o desinteresse de grande parte da comunidade internacional e da própria Igreja Católica.

Em Fevereiro de 1989 Dom Carlos Filipe Ximenes Belo escreveu a Sua Excelência o Presidente de Portugal, Dr. Mário Soares, ao Papa João Paulo II e ao Secretário-Geral da ONU, Dr. Javier Pérez de Cuellar, reclamando por um referendo sob os auspícios da ONU sobre o futuro de Timor-Leste e pela ajuda internacional ao povo timorense que estava “a morrer como povo e como nação”.

No entanto, quando a carta dirigida à ONU se tornou pública em Abril, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo tornou-se uma figura pouco querida pelas autoridades indonésias.

Esta situação veio a piorar ainda mais quando o bispo deu abrigo na sua própria casa a jovens que tinham escapado ao massacre de Santa Cruz (1991) e denunciou os números das vítimas mortais.

A sua obra corajosa em prol dos timorenses e em busca da paz e da reconciliação foi internacionalmente reconhecida quando, em conjunto com José Ramos-Horta, lhe foi entregue o Prémio Nobel da Paz em Dezembro de 1996. Na sequência deste reconhecimento, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo teve oportunidade de se reunir com o Presidente dos EUA, Bill Clinton e com o Presidente da África do Sul, Nelson Mandela.

Após a independência de Timor-Leste, a 20 de Maio de 2002, a saúde de Dom Carlos Filipe Ximenes Belo começou a esmorecer perante a pressão dos acontecimentos que tinha vivido.

O Papa João Paulo II aceitou a sua demissão como administrador apostólico de Díli em 26 de Novembro de 2002. Após se ter retirado, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo viajou para Portugal para receber tratamento médico.

No início de 2004, houve numerosos pedidos para que se candidatasse à presidência da república de Timor-Leste. No entanto, em Maio de 2004 declarou à televisão estatal portuguesa RTP que não autorizaria que o seu nome fosse considerado para nomeação. “Decidi deixar a política para os políticos” – afirmou.

Com a saúde restabelecida, em meados de 2004 Dom Carlos Filipe Ximenes Belo aceitou a ordem da Santa Sé para fazer trabalho de missionação na diocese de Maputo, como membro da congregação dos Salesianos em Moçambique.

Actualmente vive no Colégio Salesiano em Mogoflores e hoje agradecemos o prazer de contar com a sua presença.

Passo então a palavra a Sua Excelência Reverendíssima Dom Carlos Filipe Ximenes Belo.

4ª intervenção – D. Ximenes Belo

Muito obrigado pela amabilidade da sua presença e pela sua inesquecível palestra

De seguida iremos ter um momento musical interpretado pelo Coro da Universidade Lusófona

Após este momento musical vamos ter a apresentação da Revista Lusófona de Humanidades e Tecnologias proferida pelo Senhor Professor Doutor Fernando Santos Neves, Presidente dos Conselhos Gerais do Grupo Lusófona.

A Revista Lusófona de Humanidades e Tecnologias é cada vez mais um orgão científico e académico -institucional do “Grupo Lusófona” que se mantém fiel à configuração “pluritemática”, pretendendo espelhar o mais completamente possível as diversas áreas científicas do Grupo Lusófona e o seu campus académico tanto das «Humanidades» como das «Tecnologias».

A apresentação da Revista pelo Senhor Professor Doutor será seguida da audição do Hino da Universidade interpretado pelo Coro da Instituição, o qual encerrará a sessão de início do ano académico.

Muito obrigada.

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