Moçambique: O Empreendedorismo como vector da Educação

Fev 15, 2006

O Projecto Educativo do Grupo Lusófona, desde a sua origem, está fundado no Princípio da Igualdade. Na Igualdade de Oportunidades, no Ensinamento de Regras de Convivência, no Estímulo à Competitividade, através do ensino e da formação que ministra.

Estes pressupostos são aplicados em todas as Instituições do Grupo Lusófona, em Portugal e no Estrangeiro, a saber na:

  • ULHT – Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
    Lisboa, Portugal
  • ULP – Universidade Lusófona do Porto
    Porto, Portugal
  • ERISA – Escola Superior de Saúde Ribeiros Sanches
    Lisboa, Portugal
  • ISCAD – Instituto Superior de Ciências da Administração
    Lisboa, Portugal
  • ESEAG – Escola Superior de Educação Almeida Garrett
    Lisboa, Portugal
  • ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes
    Portimão, Portugal
  • ISPO – Instituto Superior Politécnico do Oeste
    Torres Vedras, Portugal
  • ISDOM – Instituto Superior Dom Dinis
    Marinha Grande, Portugal
  • RCP – Real Colégio de Portugal
    Lisboa, Portugal
  • EPA – Escola Pré-Universitária
    Lisboa, Portugal
  • FIDES- Cooperativa de Formação, Desenvolvimento e Solidariedade, Crl
    Lisboa, Portugal
  • Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto
    Lisboa, Portugal
  • ULEGE – Escola de Altos Estudos de Gestão
    Lisboa, Portugal
  • Escola de Altos Estudos do Turismo de Óbidos
    Óbidos, Portugal
  • Faculdade Paraíso
    Rio de Janeiro, Brasil
  • Colégio Paraíso
    Rio de Janeiro – Brasil
  • Universidade Amílcar Cabral
    Bissau, Guiné-Bissau
  • Universidade Lusófona de Cabo Verde
    Mindelo, Cabo Verde
  • ISPU – Instituto Superior Politécnico e Universitário
    Maputo e Quelimane, Moçambique

Desde a nossa criação, temos como objectivo central: Valorizar o fruto do nosso trabalho – os nossos alunos e os nossos antigos alunos.

Para prosseguir este objectivo, defendemos o lema “Construir Futuro”, ou seja, existimos para criar mais e melhor futuro.

Em 1995, inaugurámos, em parceria com o Senhor Professor Doutor Lourenço do Rosário e com o saudoso Eng. Carlos Klint, o ISPU – Instituto Superior Politécnico e Universitário, que tem actualmente dois Campus Universitários, um em Maputo e outro em Quelimane.

Desde o final da década de 90, a República de Moçambique tem vindo a demonstrar uma capacidade impar de recuperação e desenvolvimento Económico. O reconhecimento internacional deste trabalho foi consagrado no perdão total da sua dívida externa.

Os indicadores económicos provam que Moçambique está no caminho do Progresso (10,5% PIB, e 8% inflação, OGE reforçado com cobrança de impostos, novo código comercial 2005).

Mas, ainda existem grandes desafios que ainda se afiguram na criação do futuro Moçambicano, tais como a luta contra a pobreza e a redução das desigualdades sociais.

Desde a década de 90 que o Grupo Lusófona se orgulha de estar presente em Moçambique. Partilhamos dos Vossos desafios e dos Vossos sucessos.

A Educação, Factor de Desenvolvimento

A riqueza das Nações prova que a Educação é sinónimo de desenvolvimento económico e redução das tensões sociais entre os povos. Ignorar este pressuposto é, aliás, a razão de tantas assimetrias e conflitos entre os países considerados ricos e os países considerados pobres.

Os países considerados ricos, destacam-se dos restantes porque sustentam o seu Desenvolvimento Económico em torno do Capital Humano que afirmam como a razão principal do seu sucesso.

As nações consideradas “mais ricas”, são geralmente caracterizadas pela escassez de recursos naturais – as matérias primas. No entanto, devido ao Capital Humano habilitado, são quem detêm o Know-How da transformação dessas matérias primas em produtos de valor acrescentado.

O balanço final entre o valor das matérias primas e produtos transformados – produto final, é sempre superior para quem transforma. Temos, então, os “Mais Ricos” e os “Mais Pobres”.

Lamentável é quando estas Nações Mais Ricas se aproveitam do seu estatuto para explorar os recursos naturais, propriedade privada das  Nações Menos Ricas, para assim manterem a sua capacidade transformadora em pleno funcionamento a baixo custo.

Estamos perante um mundo em que as Nações Mais Ricas apoiadas pelo poderio militar, tecnologicamente superior, lutam pelos recursos naturais. Nesta matéria, existem nações que por momentos, esquecem o factor Educação e Partilha do Conhecimento como génese de desenvolvimento de todos os seres humanos. Por isso, impõem pela força objectivos questionáveis e que apenas agravam assimetrias e tensões sociais entre os povos. Os dissabores são os do conhecimento de todos.

A Educação como Factor de Desenvolvimento Económico é, então, a chave do sucesso porque qualifica o Capital Humano e este Cria Valor.

Moçambique, é um excelente exemplo do modo como a Educação está a desempenhar um papel motor na qualificação do Capital Humano e no consequente Desenvolvimento Económico. Exemplo disso é o aumento do peso dos sectores Industria e Serviços, que já representam actualmente 75% do PIB Moçambicano.

Frequentemente, Moçambique é apontado como um País de recursos limitados, que não dispõe das riquezas naturais, como outros parceiros do Continente Africano, nomeadamente, o petróleo e os minerais preciosos. No entanto, Moçambique reúne condições ideais para a prática da agricultura com ¼ do seu território considerado zona de elevado potencial agrícola, um bem precioso, de utilidade marginal superior (as pessoas estão dispostas a pagar mais pela satisfação das suas necessidades), especialmente, num continente flagelado pelo problema da fome. Imaginem o Capital Humano qualificado perante o poder de transformar produtos agrícolas em produtos de valor acrescentado.

Isto leva-me para uma segunda parte da minha abordagem. Educar o Capital Humano com uma Cultura Empreendedora, ou seja –  O Empreendedorismo como Vector da Educação.

Já apresentei argumentos para justificar a necessidade da Educação. Mas o que significa uma Educação Empreendedora?

O termo “entrepreneur” teve origem na economia francesa por volta do Século XIX. Em francês significa alguém que “empreende – os Ingleses traduziram para Aventureiro” um projecto ou uma actividade significativa. Mais especificamente, passou a ser usado para identificar indivíduos mais arrojados que estimulavam o progresso económico ao descobrirem novas e melhores formas de fazer mais coisas.

O economista francês a quem é normalmente atribuída a autoria deste significado específico é Jean Baptiste Say, que, no século XIX, punha assim as coisas: “O empreendedor movimenta recursos económicos de uma área de baixa produtividade para outra de maior produtividade e rendimento “[1]. Os empreendedores criam valor.

A Educação é sustentada pelo Desenvolvimento Económico. É verdade! Os graduados encontram emprego se houverem empresas que necessitem das suas habilitações.

Mas a Educação também sustenta o Desenvolvimento Económico, estamos a falar de EMPREENDEDORISMO.

Não existe apenas o EMPREENDEDORISMO na forma “Criar EMPRESA”. Criar Valor, significa fundamentalmente ter espirito de iniciativa. Nas empresas, nas Universidades, nos Centros de Investigação, e nas profissões liberais existem empreendedores.

Temos a responsabilidade de Educar o nosso Capital Humano para formar Empreendedores. Sem essa capacidade, estagnamos e, arrisco-me a dizer, podemos entrar em declínio.

Continuar a qualificar pessoas sem as estimular a Empreender, e acreditamos que o Empreendedorismo é algo intrínseco a todos os seres humanos, é manter uma atitude passiva em relação ao FUTURO e depender “TOTALMENTE” dos ciclos Económicos favoráveis para criar emprego.

O Grupo Lusófona tem como objectivo “CONSTRUIR FUTURO”. Construir é CRIAR.

Mais uma vez realço a necessidade de educar para “CRIAR”, como factor de Desenvolvimento Económico. É por isso imperativo que a nossa Educação tenha como vector o Empreendedorismo.

Para estimular o Empreendedorismo, o Grupo Lusófona criou uma solução.

Em 2003, criámos um projecto pioneiro, em Portugal, na área do Empreendedorismo Universitário denominado, o Projecto Empreendedor.

No Projecto Empreendedor, identificamos pessoas e projectos com potencial de gerar mais valias. Depois, oferecemos tutoria à criação de empresas e desenvolvemos projectos a concretizar em empresas.

Em três anos, criámos o único Centro de Empresas Universitárias, em Portugal, em Lisboa, um espaço exclusivamente destinado ao apoio das novas empresas.

Em Janeiro de 2007, apresentámos o Projecto Empreendedor, na Guiné-Bissau, na Universidade Amílcar Cabral – UAC. Em Junho de 2007 iremos inaugurar o “Centro de Negócios UAC”, com o apoio do Ministério da Economia, da Guiné-Bissau.

Estamos a preparar a introdução do Projecto Empreendedor na Universidade Lusófona de Cabo Verde.

Agora, pretendemos lançar o mesmo desafio em Moçambique.

A nossa metodologia de desenvolvimento passa pelo estabelecimento de parceiras com Instituições Públicas e Privadas ligadas à promoção do Empreendedorismo, com interesse em bons negócios, de modo a permitir financiamento às empresas.

Estamos a colaborar na formação de alunas e de alunos empreendedores/empresários – com necessidade de adquirir competências nas seguintes áreas: condições do mercado, planeamento de Estratégias e Marketing, Estudo da Microgestão, Enquadramento Jurídico-Fiscal da empresa, Propriedade Industrial; Formalidades Técnico-jurídicas da constituição de uma empresa e, muito em especial, capacidade de vender as suas ideias.

Colaboramos em todo o processo de crescimento dos empreendedores. De natureza, pessoal, académica e profissional.

Em Moçambique gostaríamos de propor um percurso idêntico, apesar da diversidade de mercados e do perfil diferenciado de empreendedores.

A nossa estratégia de desenvolvimento do empreendedorismo, passa por procurar produtos ou serviços inovadores na sua forma ou utilidade e dotar os nossos empreendedores das ferramentas necessárias para impor o seu negócio no mercado.

Em Portugal, ao abrigo do Projecto Empreendedor colaborámos na criação de 9 (nove) empresas, cerca de 35 (trinta cinco) empresários de sucesso.

Será possível desenvolver o Empreendedorismo em Moçambique?
Acreditamos que sim!

Em Outubro de 2006, promovemos, pela primeira vez em Portugal, uma Semana de Negócios em África, um espaço de debate sobre o incentivo ao Empreendedorismo e Criação de Empresas em: Angola; Cabo-Verde, Guiné-Bissau; Moçambique; e, São Tomé e Príncipe.

Esta iniciativa foi concebida para estimular o Empreendedorismo entre os Estudantes Africanos de Língua Portuguesa.

Durante cinco dias, contámos com a presença de inúmeras personalidades de Instituições Publicas e Privadas que apresentaram os incentivos de cada país a todos os interessados. Foram mais de 900 pessoas que assistiram a estas Sessões.

A apresentação de Moçambique reflectiu o grande sentido de maturidade por parte dos Empreendedores Moçambicanos. Os oradores deixaram um claro apelo para a necessidade de espírito empreendedor ao apresentarem as potencialidades dos vários sectores de actividade como oportunidades de negócio.

O sucesso desta iniciativa foi de tal ordem, que semanalmente recebemos empreendedores entre os estudantes Africanos que pretendem regressar aos seus países de origem e criar negócios.

Aproveito esta ocasião solene, para lançar um desafio ao ISPU.

Estamos convictos, que o ISPU – Instituto Superior Politécnico e Universitário também poderá contar com o Projecto Empreendedor, naturalmente, contextualizado e adaptado à realidade de Moçambique.

Dado que o Projecto Empreendedor é um programa adaptado à realidade de

cada país, a implementação do mesmo é simples. As suas linhas de acção são: Identificação e promoção de oportunidades; Formação de Empreendedores; Consultoria ao Desenvolvimento de Projectos e Criação de Empresas; Pesquisa de Alternativas ao Financiamento de Empresas; e, Assessoria Técnico-jurídica às Empresas.

Assim, propomos ao ISPU e ao Magnifico Reitor, Senhor Professor Lourenço do Rosário, desenvolver as mesmas linhas de acção do Projecto Empreendedor, tendo em conta a conjuntura da Moçambique. O estabelecimento de prioridades entre as oportunidades de negócios, a formação de empresários, o apoio à constituição de projectos, a criação de uma rede de parceiros interessados em financiar as empresas e finalmente a criação de um “Centro de Negócios ISPU” para acomodar e acompanhar as empresas.

Desde já, o Grupo Lusófona está disponível para colaborar com o ISPU na implementação e desenvolvimento deste desafio.

Como anteriormente referi, existem excelentes oportunidades de Negócio em Moçambique, incumbe-nos juntar ao Capital Humano, que estamos a Qualificar, a capacidade Empreendedora.

Desde 1995, Moçambique, tem contado com o apoio incondicional do Grupo Lusófona. Pretendemos ir mais além e colaborar com as entidades Publicas e Privadas na criação e desenvolvimento do espírito empreendedor em Moçambique.

Com o Projecto Empreendedor a funcionar no ISPU, os nossos alunos e os nossos antigos alunos poderão criar empresas, gerar postos de emprego e criar riqueza para Moçambique. É por isso que este desafio, dignifica ainda mais o nosso trabalho.

Finalmente, gostaria de referir a importância deste projecto e dos seus objectivos para o Grupo Lusófona e para todos os envolvidos no Nosso Projecto Educativo.

A ideia do negócio, a sua implementação, dinamização e solidificação dependem do esforço e do espírito de iniciativa de cada um dos empreendedores que aderirem ao Projecto.

Finalmente, os nossos sinceros agradecimentos a todos aqueles que partilham dos nossos Ideais e Valores e Têm vindo a Construir Futuro connosco!

A todos, o nosso Muito Obrigado!
Bem Hajam!

[1] Traite d Economie Politique (1803)

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