Hoje, as empresas procuram recursos humanos com níveis elevados de literacia digital, capacidade de adaptação tecnológica, pensamento crítico e domínio de ferramentas inteligentes que potenciem a produtividade e a inovação, adaptar-se ao mercado de trabalho. Perante este contexto, o ensino profissional assume um papel decisivo na preparação dos alunos para uma realidade laboral cada vez mais digital, automatizada e orientada por dados.
Enquanto CEO de um grupo que detém várias escolas profissionais, considero que a Inteligência Artificial não deve ser encarada como uma ameaça ao processo educativo, mas sim como uma ferramenta estratégica de transformação pedagógica. O verdadeiro desafio não está em substituir professores ou automatizar aprendizagens, mas em utilizar a IA para enriquecer metodologias de ensino, personalizar percursos formativos e aproximar a escola das exigências reais do mercado de trabalho preparando os alunos para o que vão encontrar fora das escolas. As nossas escolas têm de ser um espelho da realidade, este é o verdadeiro potencial do ensino profissional.
Nas nossas escolas, a integração da IA tem sido desenvolvida de forma prática e alinhada com os setores profissionais em crescimento. Através dos Centros Tecnológicos Especializados, financiados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foi possível modernizar laboratórios, oficinas e salas tecnológicas nas áreas da indústria, informática, energias renováveis e tecnologias digitais. Estes investimentos permitem que os alunos tenham contacto direto com equipamentos e softwares inteligentes semelhantes aos utilizados nas empresas, reduzindo a distância entre a formação e o contexto profissional real.
Mais do que adquirir equipamentos, o objetivo passa por desenvolver competências efetivamente relevantes para o futuro. Os alunos aprendem a utilizar ferramentas apoiadas por Inteligência Artificial, mas também a interpretar dados, resolver problemas complexos, trabalhar colaborativamente e tomar decisões de forma crítica e responsável. A IA deve potenciar capacidades humanas e não substituí-las.
Outro eixo essencial desta transformação prende-se com a capacitação dos docentes. A integração eficaz da Inteligência Artificial em contexto educativo exige investimento contínuo na formação de professores, para que estes consigam utilizar as novas ferramentas de forma pedagógica, ética e ajustada às necessidades dos alunos. A tecnologia, por si só, não transforma a educação. O impacto depende da capacidade das escolas criarem modelos pedagógicos inovadores e sustentáveis em que façam parte estas novas tecnologias.
A Inteligência Artificial tem igualmente demonstrado vantagens significativas ao nível da personalização da aprendizagem. Atualmente, várias plataformas educativas permitem adaptar conteúdos ao ritmo de cada aluno, identificar dificuldades específicas em tempo real e fornecer feedback imediato, promovendo um acompanhamento mais individualizado e eficiente. Tal como referem Rosyadi et al. (2023), “Through data analysis, AI optimizes the learning journey by deciphering student learning patterns and furnishing bespoke recommendations”.
Além da componente tecnológica, o ensino profissional deve continuar a investir em competências transversais. Projetos internacionais como o “Skills 4 Future!”, do qual a nossa escola profissional Almirante Reis (EPAR) faz parte e desenvolve em parceria com escolas da Alemanha, Islândia e Turquia, projetos que demonstram precisamente essa visão integrada do futuro da educação profissional. O projeto em questão procura reforçar competências digitais, comunicação, trabalho em equipa, resolução de problemas, sustentabilidade e empreendedorismo, utilizando metodologias inovadoras como gamificação, ferramentas Web 2.0, aprendizagem interativa e Inteligência Artificial.
Acredito que as escolas profissionais têm hoje a responsabilidade de formar alunos capazes de trabalhar com tecnologia, mas também de compreender criticamente o impacto dessa mesma tecnologia na sociedade e nas organizações, fazendo um uso ético e com responsabilidade.
Num contexto económico em que as profissões evoluem a uma velocidade sem precedentes, integrar Inteligência Artificial no ensino profissional deixou de ser uma opção. Tornou-se uma necessidade estratégica para garantir competitividade, empregabilidade e uma formação verdadeiramente alinhada com os desafios do futuro e é isso que devemos fazer em conjunto potenciando o crescimento e desenvolvimento do VET a nível europeu, tornando o sistema mais resiliente e robusto.
Bibliografia:
Rosyadi, I., Hidayat, N., & Suyitno, S. (2023). The role of AI in vocational education: A systematic literature review. Journal of Vocational Education Studies, 6(2), 244-263. https://doi.org/10.12928/joves.v6i2.9032
Azizah, N., Hanafi, I., & Yusro, M. (2024). Artificial intelligence in vocational education: Perspectives and practices from a literature study. Global Scientific in Education Journal, 1(2), 37-45. https://doi.org/10.61667/w0efrt90
Artigo originalmente publicado na EfVET Magazine de junho de 2026.



