A autonomia na educação e a promoção do espírito empreendedor

Nov 23, 2016

Desde o início do século XXI que as portuguesas e os portugueses têm ouvido falar de empreendedorismo e das virtudes do espírito empreendedor.

As universidades foram as primeiras a criar programas para promoção dos projectos dos respectivos estudantes. Para tal recorreram à colaboração com as entidades bancárias que desenharam linhas de apoio financeiro específico para este perfil de cliente e de projectos.

Posteriormente, o Estado criou diferentes programas públicos que auxiliavam os jovens com diferentes tipologias de assistência com o objectivo de criar uma empresa de sucesso e de gerar riqueza para o país.

Hoje, passadas que estão quase duas décadas, encontramos portais com a informação toda sistematizada e com um enquadramento holístico onde o utilizador encontra toda a informação à distância dum clique.

As cidades passaram a dedicar uma especial atenção a esta temática. Hoje, todos os autarcas querem liderar territórios empreendedores e trazer para dentro da sua malha urbana cidadãos que empreendam e tragam riqueza para a respectiva comunidade. Exemplo emblemático deste esforço é a StarUp Lisboa e a Porto Start & Scale Guide.

Simultaneamente, as associações, que regulam as diferentes áreas de negócios em Portugal, tiveram como grande preocupação o desenvolvimento de plataformas específicas com os diferentes conteúdos harmoniosamente agregados (Anje e AIP).

Entretanto, os sucessivos governos desde a última década do século XX que vêm legislando acerca do regime jurídico de autonomia, administração e gestão da educação onde se vislumbra que a grande preocupação do legislador é tornar a escola mais próxima do cidadão. Para isso, alteraram-se os diferentes eixos estratégicos que regem a vida da escola e da comunidade educativa. Os resultados parecem agradar porque esta autonomia tem vindo a ser aprofundada ao longo do tempo, indo aliás ao encontro do que se vem fazendo na América do Norte e na grande maioria dos Estados-membros, desde o final da II Guerra Mundial.

Esta lei permite que atualmente as escolas tenham liberdade para criarem unidades curriculares próprias de estímulo ao empreendedorismo, desde o ensino básico até ao fim da escolaridade obrigatória.

A União Europeia há mais de cinco anos que tem o Erasmus para jovens empreendedores que visa a transferência de conhecimentos e a aquisição de novas competências noutro espaço geográfico.

Ainda há poucos dias, Portugal recebeu um dos maiores eventos mundiais de empreendedorismo tecnológico – a Web Summit – onde estiveram presentes mais de 50 mil pessoas que vieram mostrar o respetivo negócio, divulgar novas ideias e debater o futuro em termos tecnológicos e não só.

A humanidade é testemunha que as maiores revoluções são feitas através da educação. A História tem sido testemunha que só há avanço civilizacional quando associamos o crescimento económico ao desenvolvimento sustentável e à justiça social.

O papel que a escola tem tido na valorização do espírito de iniciativa e de valorização do risco só terá sucesso se as sociedades reconhecerem a mais-valia do empreendedor e daqueles que criam riqueza e a distribuem e consequentemente geram valor para as respectivas comunidades e valores.

Aprender que ganhar dinheiro faz bem e recomenda-se!

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