Num mundo cada vez mais interligado, em que as fronteiras entre países, mercados e culturas se tornam progressivamente menos definidas, o Ensino e Formação Profissional (EFP) enfrentam um dos maiores desafios da sua história: preparar profissionais capazes de responder às exigências de um mercado de trabalho cada vez mais global, dinâmico e em rápida evolução.
Hoje, já não é suficiente responder apenas às necessidades imediatas dos empregadores. As instituições de EFP devem antecipar as competências que irão moldar o futuro, preparando os alunos para prosperarem em ambientes multiculturais, colaborarem em equipas internacionais, adaptarem-se a mudanças constantes e contribuírem para uma sociedade mais sustentável, inclusiva e inovadora. Neste contexto, a cooperação internacional, a aprendizagem intercultural, a sustentabilidade e o desenvolvimento de competências globais deixaram de ser ambições complementares para se tornarem pilares estratégicos do EFP moderno.
Preparar profissionais para um mundo em rápida transformação exige ir além das competências digitais. Significa desenvolver aquilo que a OCDE (2018) define como Competência Global: uma combinação multidimensional de conhecimentos, competências, atitudes e valores que permite aos indivíduos compreender questões locais, globais e interculturais, valorizar diferentes perspetivas, comunicar eficazmente entre culturas e agir de forma responsável na promoção do bem comum e do desenvolvimento sustentável.
Num mercado de trabalho cada vez mais internacional, estas competências assumem uma importância crescente. A comunicação intercultural, a colaboração em equipas multiculturais, a capacidade de adaptação, o pensamento crítico, a aprendizagem ao longo da vida e a capacidade de atuar com confiança em ambientes digitalmente conectados serão elementos diferenciadores dos profissionais do futuro. Mais do que responder simplesmente às atuais exigências do mercado de trabalho, estas competências permitem antecipar os desafios de economias cada vez mais marcadas pela inovação tecnológica, pela mobilidade internacional e pela rápida transformação das práticas profissionais.
A importância das competências globais encontra-se também estreitamente alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que reconhecem a educação como um motor fundamental para enfrentar desafios globais como as alterações climáticas, a desigualdade económica, as migrações, a inovação e a construção de sociedades mais inclusivas, equitativas e pacíficas. Preparar os alunos para compreenderem e participarem nesta realidade global constitui, por isso, uma responsabilidade cada vez mais importante das instituições de EFP e do setor da educação em sentido mais amplo.
Neste contexto, a internacionalização tornou-se uma prioridade estratégica para o futuro do Ensino e Formação Profissional. Para além de promover a mobilidade de alunos e profissionais, proporciona oportunidades para estabelecer parcerias internacionais, partilhar boas práticas, desenvolver projetos colaborativos e enriquecer a aprendizagem através do contacto com diferentes culturas e sistemas educativos. A internacionalização já não representa apenas uma mais-valia; tornou-se uma condição fundamental para garantir a qualidade, a inovação e a relevância do EFP num mundo cada vez mais globalizado. Nos últimos anos, o Grupo ENSINUS reforçou significativamente o seu compromisso com esta agenda, através de uma participação ativa em projetos transnacionais que promovem a colaboração entre instituições de ensino, empresas e alunos, criando experiências internacionais de aprendizagem que aproximam o ensino profissional das realidades de um mercado de trabalho global.
Consequentemente, a conceção da oferta educativa não pode assentar apenas na continuidade dos programas existentes. Deve ser sustentada por uma análise contínua das necessidades do mercado de trabalho, dos desenvolvimentos tecnológicos, das tendências geopolíticas e das prioridades estratégicas internacionais, assegurando que os alunos adquirem as competências necessárias para responder aos desafios do presente e do futuro. Nesta perspetiva, as instituições de EFP devem desenvolver continuamente percursos educativos inovadores e competitivos, alinhados com as ambições da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
No Grupo ENSINUS, esta visão traduz-se num compromisso estratégico com uma educação aberta ao mundo, assente na convicção de que a internacionalização constitui um dos principais motores da inovação e da excelência educativa no Ensino e Formação Profissional. A nossa experiência enquanto rede internacional de instituições de ensino demonstra que a cooperação entre países, culturas e sistemas educativos não só enriquece as experiências de aprendizagem, como promove igualmente a partilha de conhecimento, a inovação pedagógica e a resiliência institucional perante os desafios de uma sociedade cada vez mais interligada.
Proporcionar aos alunos experiências internacionais, promover o diálogo intercultural e desenvolver parcerias estratégicas com instituições de diferentes partes do mundo constituem, assim, dimensões fundamentais da nossa missão educativa. A internacionalização não é entendida como um objetivo em si mesmo, mas como um meio para desenvolver as competências que permitem aos alunos atuar de forma ética, crítica e responsável em contextos profissionais cada vez mais globais.
Esta visão encontra expressão nas diversas iniciativas internacionais desenvolvidas nas nossas escolas, que participam ativamente em redes e fóruns dedicados ao futuro da educação e ao desenvolvimento de competências, incluindo o OECD Global Forum for Education and Skills. A Escola de Comércio de Lisboa constitui um exemplo claro deste compromisso, colocando a internacionalização no centro da sua estratégia educativa. Como refere a própria escola, «os cidadãos de hoje devem não só demonstrar competitividade e preparação para um novo mundo do trabalho, mas também desenvolver consciência cultural e capacidade para compreender questões globais e interculturais, nas quais as competências sociais e emocionais, juntamente com valores como o respeito, a autoconfiança e o sentido de pertença, são essenciais para responder aos desafios sociais, económicos, políticos e ambientais do nosso tempo» (ECL, s.d.).
Hoje, à semelhança do que acontece de forma crescente no Ensino Superior, as instituições de EFP assumem responsabilidades que vão muito além da transmissão de conhecimentos técnicos. São centros de inovação, cidadania e cooperação internacional, onde os alunos desenvolvem as competências humanas, sociais e interculturais necessárias para navegar num mundo em permanente mudança. O desenvolvimento integral dos alunos enquanto cidadãos globais tornou-se, por isso, uma condição essencial para uma educação verdadeiramente orientada para o futuro.
O futuro do Ensino e Formação Profissional será determinado não apenas pela sua capacidade de integrar tecnologias emergentes, mas, sobretudo, pela sua capacidade de desenvolver as Competências Globais que permitam às pessoas compreender um mundo cada vez mais complexo, colaborar além-fronteiras e aplicar a inovação de forma ética, crítica, criativa e responsável. Preparar profissionais com estas capacidades deixou de ser apenas uma ambição educativa; é hoje a missão definidora de um sistema moderno de EFP, comprometido com a construção de um futuro mais sustentável, inclusivo e globalmente interligado.
Bibliografia:
Asia Society & OECD. (2018). Teaching for Global Competence in a Rapidly Changing World. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/9789264289024-en
Escola de Comércio de Lisboa. (n.d.). Visão internacional. https://escolacomerciolisboa.pt/visao-internacional/
OECD. (2018). PISA 2018 Assessment and Analytical Framework: PISA 2018 Global Competence Framework. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/b25efab8-en
United Nations. (n.d.). The 17 goals. Sustainable Development Goals. https://sdgs.un.org/goals



