Relatório anual da Amnistia Internacional alerta para a divisão e o medo

Mar 11, 2017

O relatório anual da Amnistia Internacional refere que 2016 foi o ano em que o uso cínico das narrativas ‘nós contra eles’ da culpa, do ódio e do medo ganharam proeminência.
Relatório anual da Amnistia Internacional alerta para a divisão e o medo

O relatório anual da Amnistia Internacional para 2016/2017 analisou o estado dos direitos humanos em 159 países ao longo do ano de 2016.

O relatório alerta que a solidariedade e a mobilização pública serão especialmente importantes para defender aqueles que desafiam os que estão no poder e se batem pelos direitos humanos – e que, frequentemente, são retratados pelos governos como uma ameaça ao desenvolvimento económico, à segurança ou outras prioridades.

“2016 foi o ano em que o uso cínico das narrativas ‘nós contra eles’ da culpa, do ódio e do medo ganharam proeminência global a um nível que não testemunhávamos desde a década de 1930. Demasiados políticos estão a responder a legítimos receios económicos e de segurança com a manipulação de políticas identitárias venenosas e divisivas, na tentativa de obter votos”, frisa Salil Shetty, secretário-geral da Amnistia Internacional.

Shetty alerta que “esta divisiva instigação do medo se tornou numa força perigosa no palco mundial”. “Seja Trump, Orbán, Erdogan ou Duterte, cada vez mais políticos que se autoproclamam antissistema, estão a empunhar uma agenda tóxica que persegue, desumaniza e torna em bodes expiatórios grupos inteiros de pessoas”. “As atuais desavergonhadas políticas de demonização tentam convencer-nos de que alguns seres humanos são menos do que outros, arrancando a humanidade a grupos inteiros de pessoas. Isto ameaça pôr à solta os mais negros aspetos da natureza humana”.

Shetty convida “todas as pessoas a instarem os seus governos para que usem o poder e influência de que dispõem para responsabilizar quem comete abusos de direitos humanos”. “Em tempos negros, houve pessoas que fizeram a diferença ao agirem – ativistas dos direitos civis nos Estados Unidos, ativistas anti-apartheid na África do Sul ou os movimentos de direitos das mulheres e dos direitos LGBTI pelo mundo fora. E todos nós temos de estar à altura do desafio que enfrentamos agora.”, conclui.

Consulte o relatório completo.

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