Empreender na Cooperação

Mai 10, 2018

Nos últimos tempos tenho sido testemunha da mudança que está a ocorrer na Política Externa Portuguesa, através, entre outras medidas, da profunda alteração que tem vindo a ser introduzida nas nossas embaixadas.

Durante muitos anos, tantos que lhes perdi a conta, quando visitava um país, no âmbito das minhas funções profissionais, tinha o hábito de solicitar uma Audiência ao Nosso Embaixador para lhe dar nota do propósito da visita e dos objetivos que me tinham levado até aquele destino.

Depois de muitas más experiências confesso que perdi esse costume, o que me causava sempre tristeza pois considerava que enquanto cidadã e profissional a representar o meu País, visitar a minha Embaixada deveria fazer parte da minha rotina. Cedo percebi que os Nossos Embaixadores e restante Corpo Diplomático, salvo raríssimas exceções, não tinham entendido a importância que a sua presença e os seus inputs poderiam ter na vida das empresas e daqueles nacionais que longe de casa tentam buscar algum conselho e sábias sugestões.

As Embaixadas Portuguesas eram espaços nobres utilizados em exclusivo para a útil representação do Estado nos termos do arquétipo existente à época.

Ao longo dos últimos tempos, tenho constatado, de forma direta, que a arte de empreender chegou aos Nossos Diplomatas e que a Cooperação começou a ser trabalhada na primeira e na segunda pessoa do plural. Deixou de ser um exercício solitário. Como por magia, nas Nossas Embaixadas empreender passou a fazer parte integrante do léxico diário.

O desígnio nacional de nos tornar a todos representantes de Portugal ganha agora mais significado quando percebemos que Empreender na Cooperação é mais fácil porque o dinamismo, a ambição, a energia de fazer mais e melhor tomou conta da ação de todas e de todos.

Para empreender é preciso querer fazer diferente e deixar a pegada de se ter inovado, seja de paradigma ou de rumo.

Cooperar é ir ao encontro do outro e isso implica sempre movimento em direção a outro destino, a outra cultura.

Poderemos pensar que a praxis da Diplomacia Económica foi o motor desta mudança. Quero acreditar que não e que tal se deveu ao facto de quem manda na nossa política externa ter percebido que empreender na Cooperação é a simbiose perfeita para dar uma nova orientação ao ímpeto nacional existente em torno do elogio à Diversidade.

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